Revista Recre@rte Nº5 Junio 2006 ISSN: 1699-1834                     http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte05.htm

 

ÁRVORE DAS COMPETÊNCIAS EM CRIATIVIDADE

(Maria Rita Gramigna)

 

Nos diversos seminários e palestras que tenho ministrado sobre o tema “criatividade e inovação profissional”,  sempre faço uma  sondagem, através de perguntas ou vivências iniciais, para descobrir  “quem se julga uma pessoa criativa?”.

O percentual de afirmações é, geralmente, muito baixo.

Ha um mito em torno da criatividade que nos leva a enxergar como  criativos somente aqueles grandes gênios que se destacam ou se imortalizaram nas artes e na ciências. Na realidade, muitos de nós acreditamos que não somos criativos. Que motivos nos levaram a tal crença?

Herdamos alguns comportamentos padronizados e formamos um sistema de valores,  baseados na educação dos nãos ( “não faça isto!”, “não faça aquilo”), perpetuada  geração após geração. Crescemos cultivando o medo da crítica, o medo de errar.

Com a  autoconfiança e auto-estima abaladas,   tendemos a não enfrentar  aos desafios com criatividade.

Certamente há os grandes gênios. Porém, todos nós somos criativos, em níveis diferentes.

Podemos demonstrar nosso potencial de três maneiras:

 

1.     criatividade genial:  demonstrada através das grande invenções que modificam e melhoram a qualidade de vida de um grande número de pessoas, em qualquer área da atividade humana.

2.     criatividade autêntica: expressa através de inovações e melhorias nos sistemas que já existem. O fax e a internet, por exemplo, são criações autênticas que melhoraram as comunicações à distância

3.     criatividade cotidiana: presente nas pequenas ações do dia-a-dia, quando nos deparamos com problemas e os resolvemos de forma original. Uma dona de casa que recebe visitas de última hora e aproveita as sobras do almoço para preparar um delicioso quitute, está sendo criativa. Uma família que resolve seus problemas de caixa através de um replanejamento financeiro está usando a criatividade. Um empregado com salário defasado que busca outra alternativa de aumentar seus ganhos também  pode ser considerado criativo.

 

  

CRIATIVIDADE É AÇÃO

É importante ressaltar  que estamos em plena era da criatividade. 

Colocar novas idéias em ação e oferecer produtos e serviços diferenciados  são as novas exigências de mercado.

Hoje, a criatividade e a inovação profissional fazem a diferença.

 

 

MONTANDO A ÁRVORE DAS COMPETÊNCIAS PESSOAIS EM CRIATIVIDADE

Das diversas definições de competências, adotamos a de Claude Lévy-Leboyer, que permite ao leitor compreender o atual enfoque de competências: “um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que algumas pessoas, grupos ou organizações dominam melhor do que outras, o que as faz se destacar em determinados contextos.

 

COMO USAR A ÁRVORE DAS COMPETÊNCIAS?

Dr. Helbert Kellner, detentor da metodologia STAR de avaliação em vendas, usa a metáfora da árvore.

Para traçá-la é necessário compreender cada um dos componentes de uma competência, a saber:

 

1.      AS ATITUDES (representadas pelas raízes):

Um dos indicadores de impacto e que dá distinção ao profissional é o conjunto de atitudes agregadas à sua ação cotidiana.

As atitudes determinam o grau de comprometimento  e envolvimento no processo criativo pessoal.

Hoje, mais do que nunca, o mercado  vêm reforçando a idéia de mudanças comportamentais.

Vejamos algumas atitudes criativas, reflexos de nossos valores e crenças, que fazem a diferença na ação criativa:

1.      CURIOSIDADE: cultivar o hábito de ler, viajar, estabelecer redes de contatos, utilizar as tecnologias disponíveis para pesquisa.

2.      OUSADIA: correr riscos calculados, inovar, sair do padrão, fazer acontecer, superar o medo de errar e aprender com os erros (próprios e dos outros).

3.      QUESTIONAMENTO: capacidade para substituir a pergunta “por quê?” pela indagação “por que não?

4.      INCONFORMISMO:  atitude constante de busca;  certeza que algo mais vai acontecer  e que nada é definitivo.

5.      PERSISTÊNCIA: capacidade de superar fracassos e começar de novo.

6.      IMAGINAÇÃO:  sonhar com o futuro,  formar imagens mentais, perseguir os sonhos transformando-os em metas

7.      LUDICIDADE: cultivar o bom humor, brincar e se divertir com idéias

 

O CONHECIMENTO (representado pelo tronco):

Os processos criativos  são afetados pelo nível de conhecimentos essenciais - aqueles que fazem parte do rol de informações necessárias ao desenvolvimento de habilidades.

O domínio de procedimentos, conceitos, fatos e informações relevantes interfere diretamente na qualidade desses processos.

Na árvore das competências pessoais em criatividade é essencial conhecer:

1.      CONCEITOS: de criatividade, inovação e inventiva.

2.      INFORMAÇÕES SOBRE PENSAMENTO CRIATIVO (Edward de Bono)

3.      METODOLOGIAS DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS.

4.      PRINCIPAIS TÉCNICAS DE GERAÇÃO DE IDÉIAS E TOMADA DE DECISÃO.

5.      TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS (Gardner),

6.      TEORIA DA QUADRATIVIDADE CEREBRAL (Ned Herrmann)

7.      MOVIMENTOS CRIATIVOS: Os principais centros de desenvolvimento e pesquisa em criatividade encontram-se  na Universidade Fernando pessoa (Portugal) no IACAT (instituto Avançado de Criatividade Aplicada Total  sob a direção do Prof. David de Prado Diéz - Espanha), na Universidade de Buffalo e  Stanford (Estados Unidos).

 

AS HABILIDADES (representadas pela copa e seus frutos):

Usar o conhecimento de forma adequada é o que chamamos de “habilidade”.

Algumas pessoas, acumulam um baú de informações teóricas e têm dificuldade de abri-lo para uso. Com o tempo, o baú é esquecido e ninguém se beneficiou de seu conteúdo.

As habilidades precisam ser demonstradas na prática. O criativo, além de possuir a competência, precisa demonstrar suas habilidades através das ações.

 De nada adianta colecionar cursos, leituras e informações em geral, se estas não são úteis e trazem algum benefício para a coletividade na qual o profissional está inserido.

Eis um elenco de habilidades que compõem a árvore das competências pessoais em criatividade:

1.      USAR ATIVADORES DA CRIATIVIDADE: adotar de forma sistematizada os  principais ativadores da criatividade que têm conhecimento.

2.      GERAR IDÉIAS (fluidez) VARIADAS (flexibilidade), frente a um desafio.

3.      TRANSFORMAR IDÉIAS EM AÇÃO: colocar em prática as ferramentas aprendidas, criando produtos e serviços inovadores.

4.      APRESENTAR AS IDÉIAS GERADAS DE FORMA CONVINCENTE

5.      AGIR COM FLEXIBILIDADE: habilidade  para exercer papéis aparentemente opostos: liderar e ser liderado, ensinar e aprender com o outro. Estar em constante processo de mudança.

6.      POSSUIR VISÃO DE FUTURO: habilidade para descortinar cenários e perceber tendências.

7.      ENXERGAR O MUNDO COM AS LENTES DA VISÃO SISTÊMICA: facilidade para ver e compreender os fenômenos como um todo, porém percebendo detalhes e partes.

 

E então, que tal montar sua árvore de competências pessoais em criatividade e elaborar um plano de desenvolvimento?

 

 

Maria Rita Gramigna

Mestre em Criatividade Aplicada Total  pela Universidade de Santiago de Compostela / ES

Diretora Presidente da MRG – Consultoria e Treinamento Empresarial.

Autora  diversos  livros sobre os temas Jogos de Empresa, Competências e Criatividade.

Contatos: 55-71-33585971

E-mail: ritamrg@terra.com.br   e mrgrh@mrg.com.br

Site www.mrg.com.br

 

3º ciclo de formación en Creatividad acorde con la C.U.E.

               > Programa profesional (abierto a todos)
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Julio 2005. INTENSIVO.    www.micat.net